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Drama 12 60 min R$ 50,00

Antígona
(Grande Teatro Unimed-BH)

Endereço

Avenida Amazonas, 315
Centro - Belo Horizonte - MG

ver google maps

Compre pelo telefone de segunda a sábado das 11h às 19h

(31) 2626-1251

Temporada

Sábado 21h e Domingo 17h

01 a 02 de Julho de 2017

Ingressos

R$ 50,00

Descontos

50% para pessoas de idade igual ou superior a 60 anos.
50% para estudantes.

* A carteira de estudante obrigatoriamente deve ser apresentada no acesso ao espetáculo e no ato da compra pela bilheteria. Não são aceitos boletos e comprovantes de matricula.

Valores

R$ 50,00 inteira
R$ 25,00 meia

Ficha Técnica

De: Sófocles
Tradução: Millôr Fernandes
Dramaturgia: Amir Haddad e Andrea Beltrão
Direção: Amir Haddad
Com: Andrea Beltrão Iluminação: Aurélio de Simoni Figurino: Antônio Medeiros
Direção de Movimento: Marina Salomon
Ambientação e Projeto Gráfico: Fabio Arruda e Rodrigo Bleque (Cubículo)
Operação de luz: Bruno Aragão
Camareira: Conceição
Produção Executiva: Rosa Beltrão e Sergio Canizio
Produção: Boa Vida Produções e Cine Theatro Brasil Vallourec

Realização Turnê nacional: Trigonos Produções Culturais

Informações

-É expressamente proibido o consumo de alimentos no interior do teatro
-Perde-se o direito ao lugar marcado após o início da sessão.

Estacionamento

Estacionamento Estacione, localizado na Rua Espírito Santos, nº 625.

Em dias de espetáculos, de segunda a domingo, o público do Cine Theatro Brasil Vallourec poderá deixar o veículo no Estacione a partir das 19h ao preço fixo de R$ 15,00. É necessária a apresentação do ingresso do espetáculo para poder usudruir do valor conveniado. O Visitante tem até 1 hora após o evento para retirar o veículo do estacionamento.

No fins de semana, o visitante poderá estacionar 1 hora antes do espetáculo e sair 1 hora depois, a utilização do estacionamento fora desse período irá gerar cobrança de acordo com a tabeça de preços da Estacione.

A entrada principal do estacionamento conveniado é a da Rua Espírito Santo. No entanto, decorrido mais de 1 hora após o término do espetáculo, o visitante terá acesso por outra entrada, a Rua da Bahia, 600.

Estacionamento na Rua
Para os visitantes que desejam estacionar os veículos na ruas próximos ao Cine Theatro Brasil Vallourec, a BH Trans liberou as seguintes vias:

Canteiro Central da Avenida Amazonas, no quarteirão do cine Brasil (nos dois sentidos).
Canteiro Central da avenida Afonso Pena, em frente ao Cine Brasil (sentido rodoviária/mangabeiras)

Horários
De segunda a sexta das 20h as 5h
Sábados a partir das 14h

Para mais informações
(31) 3889-9151

A Mostra Cine Brasil de Teatro e Música apresenta ANTÍGONA.

A jovem Antígona é o último rebento de uma árvore genealógica que tem suas raízes na formação da cidade de Tebas na Grécia. Ela pertence ao ramo dos Labidácidas, de onde Édipo, seu desditoso pai e irmão, ao mesmo tempo, por obra de um casamento incestuoso dele com sua mãe Jocasta. No espetáculo presenciamos e acompanhamos os acontecimentos que levam ao aniquilamento total desta família maldita, ou seja, o enclausuramento de Antígona e seu suicídio na caverna em que está encarcerada, após ter sido condenada à morte por desobedecer às ordens de seu tio Creonte, Rei de Tebas, que havia proibido que seu irmão tivesse um enterro conforme as tradições religiosas de seu povo. Antígona enterra o seu morto, desobedece ao Estado e paga com a vida esta inevitável desobediência civil.

O Rei de Tebas irá ele também pagar um preço ainda maior do que ela pagou, por tê-la condenado à morte.

O espetáculo é uma reflexão aterradora e profética do que pode acontecer a um povo e seus governantes, quando as autoridades sobrepõem os interesses ditos públicos àqueles da população. Um aviso, um alerta!!!

Amir Haddad

ANTÍGONA: NO CORAÇÃO DA ALMA OCIDENTAL

Amor e razão, sangue e lei – os opostos cortam o corpo ocidental há séculos, como lanhos de estoques de míseros presidiários. Somos carne pulsante, mas raciocinante, prisioneiros sofridos de nossa capacidade de civilização. Nossos algozes, somos nós, vítimas de um eterno conflito.
Na tragédia grega, o conflito nascia do embate cego entre os deuses e os homens e do aparecimento da cidade-estado. A autoridade nascente, racional, despojou a família, renegou o poder da ordem patriarcal. Hoje, somos órfãos dos deuses e, ao menos em teoria, temos livre-arbítrio – permanece o dilaceramento, porém, ele nasce dramático, dentro de cada um, da oposição direta entre emoção e ordem.

Este é o eixo central de Antígona, cartaz em temporada curta no Poeirinha. Não perca por nada deste mundo! O velho texto apaixonante de Sófocles está repaginado, em sintonia com o mundo moderno, obra de Amir Haddad e Andrea Beltrão. O resultado é inebriante e lúcido, para manter o foco no jogo sugerido pelo debate teatral da montagem. Corra para ver.

O feito é gerado por esta dupla chave – emoção e pensamento, sempre. O embate entre os dois intriga, emociona, arrebata, constrange, inspira e nos exaure: diante da plateia, Andrea Beltrão vibra na expressão de raciocínios sublimes e expõe de forma seca e cortante emoções racionais. Um oposto aponta para o outro, incorpora o outro, num fluxo incessante.
Informal, a atriz recebe o público e anuncia a representação. Portanto, o ponto de partida é um espelhamento do espectador, o cidadão descontraído que vai ao teatro, relação entre iguais. Logo ela se apresenta como atriz, inicia a ação teatral e, entre a narração dos fatos e a representação de cenas, personagens e circunstâncias, mimetiza todas as nossas formas atuais de ser-em-estado-de-comunicação. É impressionante.

Ela nos conta com absoluta vertigem teatral a história de Antígona. E o ato de contar significa apresentar a trama, mas também enumerar antecedentes históricos e mitológicos básicos para que se tenha um esboço, bem ao nosso gosto contemporâneo, do mundo de variantes envolvidas no caso. Ao longo do relato, ela encarna os grandes agentes da ação. A vivência multifacetada deixa de ser o puro confronto com o trágico e se torna uma percepção bem informada da força da tragédia.

A mesma ótica estrutura a movimentação da atriz em cena, das marcas ao jogo corporal. Há um ritmo acelerado, permanente, de passagem da apresentação relaxada e espontânea para posturas teatrais expressivas, escultóricas, emblemáticas, algumas representações sutis degestos gregos. A delicadeza da direção de movimento de Marina Salomon torna o corpo plástico sem ofuscar a densidade das palavras.

Uma cenografia performática apoia a atuação. Ela é constituída por um mural, genealógico e mitológico, de apresentação das forças envolvidas na tragédia de Antígona. Há também uma cadeira escada, uma mesa praticável, um pequeno amplificador para o som com microfone, uma echarpe vermelha, um casaco capaz de sugerir autoridade. Através do manuseio destes meios singelos, a atriz percorre uma extensa galeria de papéis e, em especial, materializa a força telúrica de Antígona.

O figurino, de Antônio Medeiros, segue a mesma linha de concepção, entre o narrativo e o performático – lembra roupas básicas de ensaio, de ginástica, negras, neutras, mas apresenta detalhes vermelhos aptos para evocar o sangue e o despedaçamento. Nos trajes, mais uma vez o jogo de opostos.

A rigor, a direção e a atuação, num diálogo intenso, buscaram mergulhar na força vital do texto para dimensionar o ímpeto de sua imortalidade, mas diante de nosso mundo, hoje. O velho aedo brota em cena, reencarnado sob tons próprios ao ator, ao performer, ao animador de auditório, ao locutor de assembleias. Uma ousadia e uma irreverência, sem dúvida.
A opção é cortante como um fio de navalha, capaz de usar nosso arcabouço racional para puncionar a nossa emoção, a grande matéria-prima do ser humano que a razão insiste em tentar sufocar. Assim, em lugar de flertar com o trágico, nos vemos gregos desterrados, cidadãos do nosso mundo; somos lançados para uma outra percepção de nós, ainda que estejamos diante do texto grego.

Na parede do espaço teatral, cartazes guiam a compreensão dos fatos intrincados da mitologia. Lá fora, nas bancas de jornal, nas telas, manchetes estampam impressionantes relatos de massacres nas prisões brasileiras, nas ruas, no mundo, nas guerras hediondas de hoje. As letras, expressão racional, desejam nos dar uma compreensão apaziguadora de fatos assombrosos. Diante deles, Antígona levantou a voz e o gesto para impor a sua emoção.

O tempo passou. O que será mesmo o progresso da razão humana ao longo do tempo, a velha razão ordeira aclamada pela cidade? – a montagem revolucionária de Antígona nos pergunta. O que a nossa emoção precisa fazer para mudar a razão apodrecida do mundo? – a peça nos convida a pensar. E talvez, quem sabe, até, a tentar lutar, tentar fazer algo que nos leve um tanto adiante do embate primordial, nunca resolvido: levar o amor a emoção, a lanhar a razão, para liberar o sangue escravizado pelo pensamento. Tânia Brandão

*Sinopse sob total responsabilidade da produção do evento.

Drama 12 60 min

Antígona (Grande Teatro Unimed-BH)

Cine Theatro Brasil Vallourec

Centro - Belo Horizonte - MG

A Mostra Cine Brasil de Teatro e Música apresenta ANTÍGONA.

A jovem Antígona é o último rebento de uma árvore genealógica que tem suas raízes na formação da cidade de Tebas na Grécia. Ela pertence ao ramo dos Labidácidas, de onde Édipo, seu desditoso pai e irmão, ao mesmo tempo, por obra de um casamento incestuoso dele com sua mãe Jocasta. No espetáculo presenciamos e acompanhamos os acontecimentos que levam ao aniquilamento total desta família maldita, ou seja, o enclausuramento de Antígona e seu suicídio na caverna em que está encarcerada, após ter sido condenada à morte por desobedecer às ordens de seu tio Creonte, Rei de Tebas, que havia proibido que seu irmão tivesse um enterro conforme as tradições religiosas de seu povo. Antígona enterra o seu morto, desobedece ao Estado e paga com a vida esta inevitável desobediência civil.

O Rei de Tebas irá ele também pagar um preço ainda maior do que ela pagou, por tê-la condenado à morte.

O espetáculo é uma reflexão aterradora e profética do que pode acontecer a um povo e seus governantes, quando as autoridades sobrepõem os interesses ditos públicos àqueles da população. Um aviso, um alerta!!!

Amir Haddad

ANTÍGONA: NO CORAÇÃO DA ALMA OCIDENTAL

Amor e razão, sangue e lei – os opostos cortam o corpo ocidental há séculos, como lanhos de estoques de míseros presidiários. Somos carne pulsante, mas raciocinante, prisioneiros sofridos de nossa capacidade de civilização. Nossos algozes, somos nós, vítimas de um eterno conflito.
Na tragédia grega, o conflito nascia do embate cego entre os deuses e os homens e do aparecimento da cidade-estado. A autoridade nascente, racional, despojou a família, renegou o poder da ordem patriarcal. Hoje, somos órfãos dos deuses e, ao menos em teoria, temos livre-arbítrio – permanece o dilaceramento, porém, ele nasce dramático, dentro de cada um, da oposição direta entre emoção e ordem.

Este é o eixo central de Antígona, cartaz em temporada curta no Poeirinha. Não perca por nada deste mundo! O velho texto apaixonante de Sófocles está repaginado, em sintonia com o mundo moderno, obra de Amir Haddad e Andrea Beltrão. O resultado é inebriante e lúcido, para manter o foco no jogo sugerido pelo debate teatral da montagem. Corra para ver.

O feito é gerado por esta dupla chave – emoção e pensamento, sempre. O embate entre os dois intriga, emociona, arrebata, constrange, inspira e nos exaure: diante da plateia, Andrea Beltrão vibra na expressão de raciocínios sublimes e expõe de forma seca e cortante emoções racionais. Um oposto aponta para o outro, incorpora o outro, num fluxo incessante.
Informal, a atriz recebe o público e anuncia a representação. Portanto, o ponto de partida é um espelhamento do espectador, o cidadão descontraído que vai ao teatro, relação entre iguais. Logo ela se apresenta como atriz, inicia a ação teatral e, entre a narração dos fatos e a representação de cenas, personagens e circunstâncias, mimetiza todas as nossas formas atuais de ser-em-estado-de-comunicação. É impressionante.

Ela nos conta com absoluta vertigem teatral a história de Antígona. E o ato de contar significa apresentar a trama, mas também enumerar antecedentes históricos e mitológicos básicos para que se tenha um esboço, bem ao nosso gosto contemporâneo, do mundo de variantes envolvidas no caso. Ao longo do relato, ela encarna os grandes agentes da ação. A vivência multifacetada deixa de ser o puro confronto com o trágico e se torna uma percepção bem informada da força da tragédia.

A mesma ótica estrutura a movimentação da atriz em cena, das marcas ao jogo corporal. Há um ritmo acelerado, permanente, de passagem da apresentação relaxada e espontânea para posturas teatrais expressivas, escultóricas, emblemáticas, algumas representações sutis degestos gregos. A delicadeza da direção de movimento de Marina Salomon torna o corpo plástico sem ofuscar a densidade das palavras.

Uma cenografia performática apoia a atuação. Ela é constituída por um mural, genealógico e mitológico, de apresentação das forças envolvidas na tragédia de Antígona. Há também uma cadeira escada, uma mesa praticável, um pequeno amplificador para o som com microfone, uma echarpe vermelha, um casaco capaz de sugerir autoridade. Através do manuseio destes meios singelos, a atriz percorre uma extensa galeria de papéis e, em especial, materializa a força telúrica de Antígona.

O figurino, de Antônio Medeiros, segue a mesma linha de concepção, entre o narrativo e o performático – lembra roupas básicas de ensaio, de ginástica, negras, neutras, mas apresenta detalhes vermelhos aptos para evocar o sangue e o despedaçamento. Nos trajes, mais uma vez o jogo de opostos.

A rigor, a direção e a atuação, num diálogo intenso, buscaram mergulhar na força vital do texto para dimensionar o ímpeto de sua imortalidade, mas diante de nosso mundo, hoje. O velho aedo brota em cena, reencarnado sob tons próprios ao ator, ao performer, ao animador de auditório, ao locutor de assembleias. Uma ousadia e uma irreverência, sem dúvida.
A opção é cortante como um fio de navalha, capaz de usar nosso arcabouço racional para puncionar a nossa emoção, a grande matéria-prima do ser humano que a razão insiste em tentar sufocar. Assim, em lugar de flertar com o trágico, nos vemos gregos desterrados, cidadãos do nosso mundo; somos lançados para uma outra percepção de nós, ainda que estejamos diante do texto grego.

Na parede do espaço teatral, cartazes guiam a compreensão dos fatos intrincados da mitologia. Lá fora, nas bancas de jornal, nas telas, manchetes estampam impressionantes relatos de massacres nas prisões brasileiras, nas ruas, no mundo, nas guerras hediondas de hoje. As letras, expressão racional, desejam nos dar uma compreensão apaziguadora de fatos assombrosos. Diante deles, Antígona levantou a voz e o gesto para impor a sua emoção.

O tempo passou. O que será mesmo o progresso da razão humana ao longo do tempo, a velha razão ordeira aclamada pela cidade? – a montagem revolucionária de Antígona nos pergunta. O que a nossa emoção precisa fazer para mudar a razão apodrecida do mundo? – a peça nos convida a pensar. E talvez, quem sabe, até, a tentar lutar, tentar fazer algo que nos leve um tanto adiante do embate primordial, nunca resolvido: levar o amor a emoção, a lanhar a razão, para liberar o sangue escravizado pelo pensamento. Tânia Brandão